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24/08/2009

Casa-Lar Irmã Carmen. Destaque do Jornal Solidário de RS - 2006.


Casa Lar Irmã Carmen

Referência social do litoral sul – catarinense.

Surgida literalmente por um trágico acidente de trânsito, a Instituição, depois de 12 anos, faz parte da história e constitui o mais importante braço social da cidade de Araranguá e mais 14 municípios adjacentes, no litoral sul de Santa Catarina. Abriga até 40 crianças de zero a seis anos, abandonadas pelos pais e atende a outras 448 crianças e adolescentes em situação de grave risco social ou extrema pobreza. E, entre essas, estão 154 rapazes adolescentes que sonham com uma carreira de futebol. Os belos campos da Casa-Lar Irmã Carmen já são considerados celeiro de “boleiros”, alguns dos quais hoje integram equipe que disputam campeonatos nacionais. É o caso de Aloísio, Jogando no time principal, de Juari e de Alan (nas equipes de base) os três no Grêmio Futebol Porto-Alegrense. E de Luiz Adriano, da equipe de base do Inter, que está indo para o exterior. “O esporte também é uma forma de promover a formação de cidadãos honestos e competentes, além de acenar com uma possível redenção financeira”. Defende João Izé Rosa, co-fundador e diretor administrativo e financeiro da Instituição, presidida por Edevaldo Nagel.

O Sentido de trágico

“A morte de Irmã Carmen já ajudou a salvar muitas vidas”. Assim solta, a afirmação de João Izé Rosa soa meio cruel. Mas é a ponta de uma comovente história que, mais uma vez, demonstra que os desígnios de Deus são, muitas vezes, incompreensíveis aos humanos. À distância do tempo, o acidente de trânsito ocorrido em julho de 1994, na BR 101, proximidades da ponte sobre o Rio Araranguá, que vitimou um imprudente ciclista repentinamente saído do acostamento e atravessando a pista, e uma irmã religiosa que viajava de carona com um padre jesuíta, começa a fazer sentido.

Viagem Fatídica

Dois personagens principais estão no começo da fundação da Casa-Lar: Pe. Paulo Rohden e João Izé Rosa. O sacerdote, então reitor do Colégio Catarinense em Florianópolis, era o motorista do automóvel em que viajava também Irmã Carmen Hans, supervisora das comunidades religiosas de sua congregação no Brasil – Irmãs Franciscanas. “ A Irmã, vinda do Rio de Janeiro, passava por Florianópolis para visitar a comunidade local. Natural de Harmonia, próximo de Montenegro, também minha terra natal, a carona veio a calhar, pois iríamos para o mesmo destino para uns dias de férias. A fatalidade parece que estava traçada. Próximo de Tubarão, um cão nos deu um grande susto ao passar na frente do automóvel . Saiu ganindo como todo cachorro ao ser colhido no trânsito. Dali em diante, a religiosa permaneceu muda. Estaria ainda viva? No segundo acidente, o pára-brisa quebrou. Mas não machucamos muito. Logo, várias pessoas nos socorrera. A Irmã chegou morta no Hospital”, recorda Padre Paulo, atualmente cive-postulador da beatificação do Pe. Reus, em S. Leopoldo.


Socorro Impessoal

Entre os que ocorreram na ocorrência na BR 101, estava João Izé Rosa. “Nos conhecemos ali nos identificamos no Hospital. Logo, acalmei Pe. Paulo, pois a irmã não fora a óbito por causa do acidente e sim por problemas cardíacos” lembra João Izé, então integrante do Conselho Tutelar da Comarca e preocupado com a situação de extrema carência social no Bairro Polícia Rodoviária, assim denominado por localização próximo ao posto da PRF na BR 101, sul de Araranguá. ”Ali precisava ser feito alguma coisa com urgência e eu estava em cusca de parceiros” Recorda Rosa.
Parceria
O parceiro apareceu na desgraça. Padre Paulo e João izé Rosa foram seus protagonistas. A idéia de começar uma obra social aflorou ainda no Hospital em que as vitimas do acidente foram atendidas. Teria o nome da religiosa, também incentivadoras de obras sociais na sua congregação. Vários outros parceiros logo se agregaram. E a semente germinou. Nascia a casa para desenvolver ações em defesa dos direitos fundamentais à vida de crianças e adolescentes , em vulnerabilidade social com o nome de Irmã Carmen. Em 16 de setembro de 1994,menos de três meses depois, uma celebração ecumênica na comunidade de Polícia Rodoviária apresentava a primeira casinha de 80 metros quadrados que veio abrigar 18 crianças. Nove meses após , uma nova construção tomava o lugar da anterior. Não demorou que a instituição se tornasse referencia social. Fundada oficialmente em 28 de dezembro do esmo ano de 1994, todas as terrs e construções foram adquiridas pelo Colégio Catarinense de Florianópolis – SC. À sociedade coube a manutenção. Em cinco de maio de 1995, se inaugurava a primeira parte construída com 1.600m².
O que era um humilde abrigo para filhos de mães solteiras no início, hoje é constituído por diversas unidades. Servem-se seis refeições diárias para seus usuários. “em outubro servimos 13.300 refeições, a crianças, adolescentes, nossos assistentes sociais, psicólogos, oficineiros, etc.” resume João Rosa. “Estamos deficitários. A Comunidade e poder público nos ajudam muito. Mas é o Colégio Catarinense e uns poucos benfeitores especiais entram com quase a metade”, contabiliza o Diretor.

Fonte:
Jornal Solidário - Porto Alegre - RS.
Data: 16 a 30 de novembro de 2006.



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